A decisão de iniciar um tratamento para dependência química ou alcoolismo costuma vir acompanhada de muitas dúvidas. Depois de definida a admissão, uma das perguntas mais comuns é:
“O que devemos levar para a clínica de recuperação?”
Roupas, documentos, medicamentos, produtos de higiene e objetos pessoais podem ser necessários. Porém, existem itens que determinadas instituições restringem por questões de segurança, organização e rotina terapêutica.

Por isso, esta lista funciona como orientação geral. A relação definitiva deve sempre ser confirmada diretamente com a instituição antes da entrada, pois as regras podem variar.
Por que confirmar a lista antes da internação?
Cada instituição possui sua própria estrutura, público atendido e regulamento interno.
Algumas fornecem roupa de cama e determinados produtos de higiene. Outras solicitam que a família providencie esses itens.
Também podem existir regras específicas relacionadas a:
- Quantidade de roupas;
- Aparelhos eletrônicos;
- Celulares;
- Dinheiro;
- Alimentos;
- Cigarros;
- Medicamentos;
- Objetos cortantes;
- Produtos em recipientes de vidro;
- Visitas e entrega posterior de pertences.
Antes de preparar a mala, solicite a lista oficial da instituição.
Isso evita levar objetos desnecessários ou itens que não poderão permanecer com o paciente.
1. Documentos pessoais
A documentação costuma ser uma das primeiras coisas a separar.
Dependendo da instituição e da modalidade de atendimento, podem ser solicitados:
- RG;
- CPF;
- Cartão do SUS;
- Carteirinha do plano de saúde, quando houver;
- Documentos médicos disponíveis;
- Receitas médicas;
- Exames recentes;
- Relatórios médicos ou psicológicos;
- Informações sobre medicamentos em uso;
- Contato dos familiares responsáveis.
Se possível, organize os documentos em uma pasta.
Não envie documentos originais desnecessários sem confirmar previamente com a instituição.
2. Quais roupas levar para uma clínica de recuperação?
Priorize roupas simples, confortáveis e adequadas à rotina.
Uma lista básica pode incluir:
- Camisetas;
- Bermudas;
- Calças;
- Roupas íntimas;
- Meias;
- Pijama;
- Agasalho;
- Chinelo;
- Tênis;
- Toalhas, quando solicitadas.
A quantidade dependerá da duração prevista da permanência e da frequência com que a instituição realiza ou permite a lavagem das roupas.
Evite montar uma mala excessivamente grande antes de conhecer as regras.
Identifique os pertences
Uma medida simples pode evitar muitos problemas:
identifique roupas e objetos pessoais com o nome do paciente, quando a instituição recomendar.
Em ambientes coletivos, peças semelhantes podem ser confundidas.
3. Produtos de higiene pessoal
Normalmente são necessários itens básicos de higiene, mas a instituição deve informar exatamente quais produtos são permitidos.
Podem ser solicitados:
- Escova de dentes;
- Creme dental;
- Sabonete;
- Shampoo;
- Condicionador;
- Desodorante permitido pela instituição;
- Pente ou escova de cabelo;
- Papel higiênico, caso solicitado;
- Produtos menstruais;
- Outros produtos pessoais necessários.
Alguns estabelecimentos possuem restrições para embalagens de vidro, aerossóis ou determinados produtos que possam representar risco.
Por isso, não compre grandes quantidades antes de confirmar.
4. E os medicamentos?
Esse é um dos pontos que merece maior cuidado.
Se o paciente utiliza medicamentos prescritos, informe a instituição antes da admissão.
Leve, quando solicitado:
- Receita médica;
- Nome do medicamento;
- Dosagem;
- Horários utilizados;
- Relatórios médicos relacionados ao tratamento.
Não esconda medicamentos dentro da mala e não oriente o paciente a administrá-los por conta própria sem conhecimento da equipe responsável.
A instituição deverá orientar como será realizado o armazenamento e a administração dos medicamentos de acordo com sua estrutura assistencial e as prescrições aplicáveis.
Nunca omita informações importantes de saúde
Antes da entrada, informe sobre doenças preexistentes, alergias conhecidas, medicamentos utilizados, histórico de convulsões, tratamentos psiquiátricos, internações anteriores e outras informações relevantes.
Isso pode ser fundamental para a segurança do paciente.
5. O paciente pode levar celular?
Depende da instituição.
Algumas restringem celulares durante determinadas etapas do tratamento. Outras estabelecem dias ou horários específicos para utilização ou comunicação com familiares.
Não existe uma regra única aplicável a todas as clínicas.
Antes da admissão, pergunte:
“O celular é permitido?”
“Quando o paciente poderá falar com a família?”
“Como funcionam as ligações?”
“Existe um telefone da instituição para contato?”
Ter essas informações antecipadamente reduz a ansiedade da família.
6. Pode levar dinheiro?
Também depende das regras internas.
Algumas instituições não permitem que pacientes mantenham dinheiro diretamente consigo. Outras possuem procedimentos específicos para pequenas despesas.
Se houver necessidade de valores para gastos pessoais, descubra antecipadamente como eles serão administrados e registrados.
Evite entregar grandes quantias ao paciente no momento da entrada sem orientação da instituição.
7. Pode levar cigarro?
Essa é outra regra que varia bastante.
A família deve perguntar diretamente sobre a política de tabagismo da instituição.
Não presuma que cigarros são permitidos e não esconda produtos na mala.
O mesmo vale, evidentemente, para bebidas alcoólicas, substâncias ilícitas e outros produtos proibidos.
8. Objetos que podem ser proibidos
Por segurança, determinados objetos podem ser restringidos.
Dependendo do estabelecimento, isso pode incluir:
- Objetos cortantes;
- Facas ou canivetes;
- Bebidas alcoólicas;
- Drogas ilícitas;
- Medicamentos sem conhecimento da equipe;
- Recipientes de vidro;
- Produtos inflamáveis;
- Determinados aerossóis;
- Equipamentos eletrônicos;
- Grandes quantias em dinheiro;
- Objetos de alto valor.
A lista exata deve ser fornecida pela própria instituição.
9. O que NÃO colocar na mala?
Além dos itens proibidos, existem objetos que simplesmente podem ser desnecessários.
Evite enviar joias, relógios caros, grandes quantidades de roupas, equipamentos eletrônicos caros ou qualquer objeto de grande valor sentimental sem verificar previamente as condições de armazenamento.
Uma boa regra é:
leve o necessário para o tratamento e deixe os objetos de valor em casa.
10. Leve informações sobre o histórico do paciente
A mala não é a única coisa que precisa ser preparada.
Informações fornecidas pela família podem ajudar muito na avaliação inicial.
Tente organizar um pequeno histórico contendo:
Substâncias utilizadas: álcool, cocaína, crack, maconha, medicamentos ou outras drogas.
Frequência: uso diário, semanal ou episódios específicos.
Último consumo conhecido: quando possível.
Tratamentos anteriores: clínicas, CAPS, psicoterapia, psiquiatria ou outros acompanhamentos.
Recaídas anteriores: quando aconteceram e o que estava ocorrendo naquele período.
Problemas de saúde: físicos ou psiquiátricos conhecidos.
Medicamentos: quais utiliza atualmente.
Comportamentos de risco: episódios recentes importantes que a equipe precise conhecer.
Não é necessário escrever uma biografia completa.
Informações objetivas podem ajudar a equipe a compreender o caso.
11. A família precisa levar exames?
Nem sempre.
A necessidade dependerá da avaliação, do tipo de estabelecimento e das condições clínicas do paciente.
Se houver exames recentes, receitas ou relatórios médicos relevantes, informe a instituição e pergunte se devem ser apresentados.
A equipe também poderá orientar sobre avaliações necessárias antes ou depois da admissão.
12. Existe avaliação antes da entrada?
Uma instituição responsável deve procurar compreender as condições e necessidades da pessoa antes de simplesmente recebê-la.
Dependência química pode coexistir com diversas condições clínicas e psiquiátricas.
Além disso, alguns pacientes podem necessitar inicialmente de atendimento hospitalar ou de emergência, especialmente diante de intoxicação grave, abstinência complicada ou outras condições agudas.
Nem toda pessoa deve ser encaminhada diretamente para uma instituição residencial sem avaliação adequada.
13. O que perguntar antes de deixar o paciente na instituição?
A família deve aproveitar o momento da admissão para esclarecer dúvidas importantes.
Pergunte sobre:
- Quem será responsável pelo acompanhamento?
- Como funciona a rotina diária?
- Como serão administrados medicamentos?
- Como funcionam as visitas?
- Quando o paciente poderá telefonar?
- Como a família recebe informações?
- Quais profissionais participam do atendimento?
- Existe um plano individual de atendimento?
- O que está incluído no valor contratado?
- Existem despesas cobradas separadamente?
- Como funciona uma eventual transferência para hospital?
- Como é planejada a continuidade do tratamento após a saída?
Não tenha vergonha de perguntar.
A família tem o direito de compreender o serviço que está contratando.
14. O que é o Plano Individual de Atendimento?
No tratamento da dependência química, o cuidado não deveria ser simplesmente igual para todas as pessoas.
A legislação brasileira prevê o Plano Individual de Atendimento (PIA) no contexto do atendimento às pessoas com problemas decorrentes do uso de drogas.
Esse planejamento considera aspectos relacionados à avaliação individual, objetivos terapêuticos, participação familiar quando apropriada e estratégias para reinserção social.
Por isso, uma pergunta importante antes da admissão é:
“Como vocês elaboram e acompanham o plano de tratamento de cada paciente?”
15. A família participa do tratamento?
A participação familiar pode ser extremamente importante.
Dependendo do programa terapêutico, podem existir:
- Orientações familiares;
- Reuniões;
- Grupos;
- Atendimento psicológico;
- Visitas programadas;
- Acompanhamento da evolução;
- Preparação para a alta;
- Orientações sobre prevenção de recaídas.
O tratamento não deveria terminar simplesmente quando o paciente sai da instituição.
A continuidade do cuidado é fundamental.
Checklist rápido antes de sair de casa
Antes da admissão, confira:
☐ Documentos solicitados
☐ Receitas e relatórios médicos
☐ Relação atualizada dos medicamentos
☐ Roupas permitidas
☐ Roupas íntimas
☐ Calçados
☐ Produtos de higiene autorizados
☐ Informações importantes sobre saúde
☐ Histórico básico do uso de substâncias
☐ Lista oficial fornecida pela instituição
☐ Regras sobre celular
☐ Regras sobre dinheiro
☐ Regras de visitas e ligações
☐ Contato da instituição salvo no celular da família
Um detalhe importante: clínica, hospital e comunidade terapêutica não são a mesma coisa
Antes de preparar a mala, descubra para qual modalidade de serviço a pessoa está sendo encaminhada.
No Brasil, existem diferenças importantes entre serviços de saúde que realizam internação e instituições residenciais, como comunidades terapêuticas acolhedoras.
Nas comunidades terapêuticas acolhedoras, a permanência deve ser voluntária. Elas não podem realizar internação involuntária.
Já a internação para dependência de drogas possui requisitos legais específicos e, quando involuntária, depende de avaliação e autorização médica conforme a legislação.
Essa diferença é importante tanto para a segurança quanto para os direitos da pessoa em tratamento.
E se o paciente estiver em crise no dia da admissão?
Se houver convulsão, perda de consciência, dificuldade respiratória, dor intensa no peito, intoxicação grave, confusão intensa ou outra situação de emergência, não trate o episódio apenas como uma questão de transporte para a clínica.
Pode ser necessário atendimento médico de emergência.
No Brasil, o SAMU atende pelo número 192.
Prepare a mala, mas também prepare a família
A entrada em tratamento pode gerar medo, culpa, ansiedade e muitas expectativas.
Evite prometer:
“Agora todos os nossos problemas acabaram.”
A recuperação costuma ser um processo.
O tratamento pode representar um passo muito importante, mas a família também precisa aprender sobre dependência, estabelecer limites, compreender recaídas e participar adequadamente da continuidade do cuidado.
Precisa de orientação antes da internação?
Se sua família está avaliando uma clínica de recuperação e ainda tem dúvidas sobre documentação, itens necessários, modalidade de tratamento ou como funciona a admissão, procure orientação antes de tomar a decisão.
Atendimento e orientação 24 horas: 11 95452-1548